segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Reportagem da Caros Amigos: Médici e Nixon articularam golpe militar que derrubou Salvador Allende


Documentário exibido no dia em que se completa 36 anos do golpe militar no Chile retrata trama urdida pelos militares por determinação da burguesia chilena e dos governos dos Estados Unidos e do Brasil


Por Lúcia Rodrigues

“Eu não sabia o que era tomar leite com chocolate e com Allende eu soube. Eu nunca tivera sapatos, mas com Allende no governo, tive. Não comíamos frango, mas com Allende passamos a comer”, afirma Camilo Arias, ao descrever o governo do primeiro presidente socialista do Cone Sul, eleito em setembro de 1970.

Arias tinha por volta de 11 anos de idade e morava em uma favela chilena quando os militares golpistas depuseram Salvador Allende da presidência do Chile, em setembro de 1973. A preocupação com a melhoria da qualidade de vida da população empobrecida fascinou a criança. O chileno conta que naquela época se respirava socialismo no país.

“Lembro que quando Allende foi à ONU, jogávamos bola na rua, mas ouvíamos seu discurso pelo rádio. Hoje a juventude não sabe o que aconteceu no país. Mas em 70 falávamos de Allende na escola, os professores conversavam conosco sobre seu governo. E diziam que era importante para o nosso futuro”, destaca.

Arias conversou com a reportagem da Caros Amigos após a exibição do documentário Pela Razão ou Pela Força, de Denis Barbosa, exibido nesta sexta-feira, 11, data em que se completa 36 anos do golpe militar no Chile, no Memorial da Resistência, em São Paulo. O filme é um retrato fidedigno da trama sórdida urdida pelos militares por determinação da burguesia chilena e dos governos dos Estados Unidos e do Brasil.

Para o diretor do Fórum de Ex Presos e Perseguidos Políticos e membro do Núcleo Memória, Ivan Seixas, Brasil e Chile têm várias similitudes. “A esquerda apostou no processo democrático nos dois países e tentou conter a reação. A crueldade das duas ditaduras também foi muito parecida.”

Ele explica que os torturadores brasileiros foram ao Chile para ensinar tortura aos militares golpistas. O delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), Sérgio Paranhos Fleury, e o capitão do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), Enio Pimentel Silveira, conhecido nos porões do regime como doutor Nei, foram alguns dos “professores” de tortura no Chile.

A Escola das Américas, centro de formação de torturadores e braço repressivo dos norte americanos, também teve papel destacado no fornecimento de “mão de obra” para o combate aos ativistas de esquerda no país.

O brasileiro e militante da ALN (Ação de Libertação Nacional), Domingos Fernandes, viveu a repressão dos golpistas na pele. Ele chegou ao Chile em agosto de 73, vindo da Itália depois de ter saído clandestinamente do Brasil.

Fernandes descreve o clima de instabilidade que permeava o cenário político chileno em setembro de 1973. “As pessoas sentiam que o golpe viria. Estávamos preparados para resistência, só não imaginávamos que seria da forma como ocorreu. Achávamos que se ficássemos na resistência, Allende sairia vitorioso”, ressalta.

Os golpistas chilenos já haviam tentado depor Allende em junho de 1973, no episódio que ficou conhecido como “tancaço”, quando tanques militares cercaram o Palácio de La Moneda, e metralharam vários manifestantes. Mas os militares leais a Allende e o apoio das forças populares impediram que o golpe lograsse sucesso naquele momento.

O general Carlos Platz, comandante chefe do Exército, exigiu a punição dos golpistas. Em reação, as mulheres dos oficiais militares realizaram protesto em frente à sua residência, o insultaram e forçaram sua renúncia. Em seu lugar, Allende nomeou Augusto Pinochet, que estava hierarquicamente abaixo de Platz.

Entre junho e setembro de 73, Allende tentou dialogar com os partidários da Democracia Cristã, mas assim como a extrema direita, a força política estava resoluta na decisão de derrubar o socialista. Em 11 de setembro, Exército, Força Aérea, Marinha e Carabineiros (policiais militares) colocam em operação o golpe da burguesia.

A movimentação das tropas militares começou por voltas das cinco horas da manhã, segundo o relato de Fernandes. “Ouvimos o barulho da movimentação do golpe. Não havia celular, mas conseguimos nos comunicar com os companheiros.”

Os estrangeiros, como os brasileiros, ficaram mais expostos à repressão do que os próprios chilenos. O sotaque era um elemento denunciador. Os militares incentivavam a delação de estrangeiros. “Diziam que os estrangeiros que estavam no Chile, eram de esquerda”, conta.

O ativista da ALN conseguiu asilo político na Embaixada da Argentina, em 21 de setembro. “A maneira de sair do Chile era via embaixadas”. O Partido Comunista Italiano conseguiu um passaporte diplomático falso para Fernandes e ele viajou para Portugal. Antes disso, conseguiu colocar vários brasileiros dentro da Embaixada Argentina e livrá-los da morte.

Sabotagem da direita
A burguesia chilena fez de tudo para desgastar o governo da União Popular e pavimentar o terreno para o golpe militar. O discurso e a prática política de Allende a deixava em polvorosa.

Allende expropriou fábricas e colocou os trabalhadores em seu comando, estatizou bancos, nacionalizou o cobre, principal commodity do país, implantou a reforma agrária, inclusive, para os índios mapuches, e melhorou a vida dos pobres de uma maneira geral.

Quando Fidel Castro visitou o país, em novembro de 1971, as donas de casa da classe média fizeram um panelaço em protesto.

A direita começa a realizar atentados, sabotagens contra oleodutos e centrais elétricas, passam a agredir parlamentares da Unidade Popular. Em outubro de 1972, os donos de transportadoras de caminhão organizam um locaute para provocar o desabastecimento da sociedade. No início de 1973, começa o racionamento de alimentos. As filas são enormes e falta de tudo nas gôndolas dos supermercados. Tudo isso, regido orquestradamente pela direita que preparava o golpe contra o governo popular.

Recentemente, o historiador do Arquivo Nacional de Segurança dos Estados Unidos, Peter Kornbluh, descobriu documentos que revelam o envolvimento do ex presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici no golpe que derrubou Allende. Relatório de Henri Kissinger relata reunião entre Médici e o ex presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, datado de 1971, que comprova que os dois trabalhavam pelo golpe que derrubaria o médico socialista que dirigia o país andino.

Firmeza de caráter
Allende não se rendeu aos bombardeios dos golpistas. “Allende não se rende, merda”, afirmou o socialista antes de morrer. O presidente também garantiu a saída de quem quis abandonar o Palácio La Moneda quando começaram os bombardeios. Cumprimentou a todos e agradeceu pela contribuição que deram ao governo da Unidade Popular. Aproximadamente 50 pessoas permaneceram com ele no La Moneda.

Às nove horas da manhã do dia 11 de setembro o som das bombas que eram lançadas sobre o La Moneda pelos aviões da Força Áerea chilena era absolutamente ensurdecedor. A partir daquele instante o país mergulharia no mais profundo silêncio.

A liberdade de expressão estava banida do país por 17 longos anos. Os únicos sons que se ouviam no Chile eram os gritos dos torturados e o barulho das metralhadoras nos pelotões de fuzilamento contra os oposicionistas. O famoso cantor de música popular Victor Jara foi uma dessas vítimas do general Pinochet. Jara teve o corpo cortado ao meio por uma rajada de metralhadora após ter as duas mãos quebradas.

luciarodrigues@carosamigos.com.br

domingo, 13 de setembro de 2009

Tiro no pé...

Pois é... Mais uma vez a Globo, em mais uma de suas tentativas de demonizar Dilma Rousseff, se deu mal. No programa "Entre Aspas", apresentado por Mônica Waldvogel, no canal Globonews, percebe-se claramente que a escolha dos convidados corresponde a uma tentativa de demonstrar que houve influência política na Receita Federal, resultando na queda de Lina Vieira. A questão colocada é se "O Leão é controlado por interesses políticos?". A resposta esperada é, claramente, que sim, e a grande criminosa seria Dilma. Mas não foi esse o consenso na opinião dos convidados, que foram Paulo Antenor, Presidente do Sindireceita (com o objetivo evidente de transformar os ex-funcionários exonerados em vítimas), o advogado tributarista Paulo Sigaud, e o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, braço direito do presidente FHC durante seus 8 anos de governo, e obviamente seria posição certa contra o governo.

O objetivo, mais uma vez, seria incriminar Dilma, como se as ações da Receita partissem de cima para baixo, tirando a autonomia do órgão, e gerando uma crise monstruosa. Mas, na verdade, a Globo novamente deu um tiro no pé. O presidente do Sindireceita afirmou categoricamente, assim como os outros dois, que não houve politização na Receita, não há crise no órgão, e que todas as ações tomadas pelo governo são procedimentos normais. Tudo o que aconteceu não foge em nada ao protocolo do que sempre aconteceu na Receita, desde a gestão de Everardo Maciel, e que a saída de Lina se deu por incompetência dela mesma, que não atribuiu a técnicos o exercício das funções de chefia e especializadas da Receita. A mudança não é partidarismo, mas um procedimento para recuperar a imagem da Receita perante a opinião pública. Lina Vieira , por incompetência, exerceu uma má função, denegriu toda uma competente gestão que vinha funcionando muito bem desde a época de Everardo, e sua demissão é simplesmente uma forma de recuperar a funcionalidade da Receita.

Até mesmo Everardo Maciel, oposição clara ao atual regime, admitiu que tudo não passa de um factóide da imprensa para se criar um escândalo em torno de Dilma. Para ele, é um pesar que a Receita viva uma crise, resultado de uma mudança de atitude administrativa. A gestão proposta por Lina foi diferente da dele e de seus sucessor, e essa mudança é natural e tomada por quem pode propô-la. Mas, independente disso, não há ingerência política. A politização se deu por conta exclusivamente de Lina Vieira, que optou por critérios sindicais, e foi um desastre. O aumento da arrecadação, por sua vez, durante a gestão de Lina, na visão de Everardo, é outro factóide criado exclusivamente para encobrir a realidade, de que essa foi uma gestão desastrosa.

A questão da CPI da Petrobrás sobre a famosa "manobra contábil", para o ex-secretário, novamente é outro factóide. Todos os procedimentos tomados foram corretos, e estavam previstos por lei, a qual foi elaborada durante a sua gestão. Houve, portanto, uma manipulação da opinião pública com relação a isso.

Mais uma vez, Mônica colocou a questão de uma possível pressão da família Sarney sobre a Receita. Paulo Antenor responde que não, e que é praticamente impossível haver pressão sobre o órgão, pois os funcionários são independentes, têm autonomia para atuar, devendo responder claramente às exigências internas.

Sobre isso, Everardo também diz que, se houve alguma influência relevante, séria, por parte do Ministério, o caso é grave, e o momento certo para ser denunciado não é hoje, mas à época em que aconteceu. Se isso não foi feito à época certa, o denunciante, no caso Lina Vieira, cometeu prevaricação. Por que algo que foi grave, que foi criminoso, que incomodou e representou tráfico de influência não foi denunciado em seu momento? Só pode haver interesse pessoal nisso, fruto da conveniência e da oportunidade.

Conclusão do programa: A gestão de Lina Vieira foi um desastre para a instituição, e para o próprio governo; A Receita Federal é uma instituição idônea - que responde aos interesses do Estado, e não de partidos políticos, ou governos - moderna, e eficiente, principalmente graças à modernização proposta por Everardo Maciel; que tudo isso que ganhou proporções gigantescas na mídia, com o objetivo óbvio de atingir Dilma, deve ser minimizado. Ou seja, a novela de Lina Vieira não passou de um "factóide".


Vejam o Vídeo na íntegra, do Blog de Luíz Nassif

Inté!

sábado, 5 de setembro de 2009

Museu da corrupção

Para que nossa memória não nos deixe esquecer que corrupção, escândalos, casos, nãosão exclusividade desse governo.

Para visitar o Museu da Corrupção, clique aqui.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Seguindo a canção! Nosso CD.

Pessoal, só pra vocês conhecerem, esse é o meu grupo, Madrigal In Casa, e esse é o CD que gravamos em 2008. É bem legal esse trabalho. Ouçam, e comentem.
Vale!


domingo, 30 de agosto de 2009

Capitães da areia

Queridos do 9o. Ano, também dedico um espaço a vocês.

Nessa semana discutimos o "Capitães da areia", de Jorge Amado. O objetivo principal foi oferecer um olhar sobre os menores abandonados durante o período estadonovista. Como vimos, esse livro foi recolhido e incinerado em praça pública, e a grande discussão é justamente por que isso ocorreu. Claro, o discurso de Jorge Amado é apologético do credo comunista, e o livro constrói um discurso defendendo essa ideologia. O que pretendemos foi justamente identificar esse discurso, em oposição ao discurso dos jornais, de alguns setores da elite, da polícia e dos diretores do reformatório.

Quero saber o que vocês acharam!

Salve!

O Xangô de Baker Street

Aluninhos do 8o. Ano, está inaugurado um espaço para que vocês comentem sobre o que acharam do livro. O objetivo dessa leitura foi, além de apresentar um best-seller e discutir sobre literatura comercial, apresentar um universo introdutório para que vocês possam aprender o segundo império, em História. Também aproveitei para que possamos entender como Jô Soares inverte a fórmula dos romances policiais, e as referências dos livros de Sherlock Holmes são importantes para entender isso. A presença também de personalidades que transitaram pelo século XIX e fazem parte do enredo da narrativa também foi assunto discutido em aula.

Bom, quero saber o que vocês acharam dessa leitura.

Vale!!!

Música na escola!

Pessoal, há um tempo venho pensando em instituir na escola um trabalho sério com música. Na verdade, como muitos de vocês devem perceber, eu acho que a música desperta uma série de sensibilidades que podem levar as pessoas a ter uma percepção mais apurada do mundo.

Minha ideia é o trabalho vocal, pois envolve um grupo, desperta a interação entre as pessoas, além de ser muito divertido cantar. Já vi trabalhos incríveis em diversas escolas, que demonstram que esses alunos que cantam em grupo têm mais autonomia e auto-crítica. Já há diversas escolas em Jundiaí que vêm fazendo esse trabalho. Quando vejo adolescentes fazendo um trabalho tão bom, tão firmeza, juro que fico muito feliz em perceber que a gente é capaz de, tão cedo, perceber coisas tão sutis. Vejam só alguns trabalhos de um grupo do Rio de Janeiro, que se chama São Vicente à Capella.






















Nessa escola há diversos grupos, desde os menores até os maiores. Há um grupo power, que faz turnês por todo o país e pelo exterior, e levam o nome do colégio, e há lista de espera para fazer parte desse grupo, o que é muito especial. São pessoas da idade de vocês, e eu queria tentar fazer algo parecido em nossa escola. Esse trabalho pode ser muito divertido pois, além de formar um grupo coeso, podemos viajar, nos apresentar, e levar o nome da escola para diversos lugares! Canto em grupos vocais desde os 14 anos, e falo isso por experiência própria.

Pretendo levar um projeto sério para os diretores da escola, para fazer um negócio legal. Eu queria saber o que vocês acham, se é algo legal pra vocês, pra quem sabe termos uma coisa bacana na escola!

Comentem, para eu ter mais força e levar o projeto adiante!
Bjão a todos!